O conflito pode ser construtivo

O conflito é parte natural e inevitável das relações humanas. Mesmo nos melhores lugares de trabalho ou nas mais harmoniosas famílias podemos encontrar situações de conflito, pois é exatamente nos momentos de confronto entre diferentes mentalidades, valores, maneiras de ser e ver o mundo, que o conflito aparece como elemento fisiológico.

A palavra, do latim confligere, significa “bater junto”, “estar em desavença”, “golpear”, “atacar”, que evoca, obviamente, o conceito negativo de guerra, luta, disputa, agressividade, confronto e violência. Mas, de um ponto de vista diferente, o conflito é a outra face da paz e ele nos exige aprender a mantê-la, não só quando tudo vai bem e está em harmonia.

Normalmente, o ser humano tende a evitar os conflitos, às vezes fazendo de conta que não existem e, consequentemente, não os enfrentando. Porém, o sucesso de um relacionamento pessoal ou profissional não depende da ausência deles, mas da capacidade e competência comunicativa e interpessoal de solucionar a situação.

As divergências, pontos de vista e intenções se tornam conflito quando cada pessoa envolvida quer impor sua opinião sem ouvir a outra parte, quando o comportamento de um interfere nas necessidades do outro ou quando existe um confronto de valores. O conflito, no entanto, pode ter efeitos positivos, tudo depende das estratégias utilizadas para resolvê-lo: se são construtivas e de cooperação para chegar a uma solução compartilhada e de compromisso mútuo ou se nos deixamos envolver pela raiva, pelo julgamento, egoísmo, individualismo e pelas reações emocionais.

Em um confronto saudável, as nossas ideias são colocadas em discussão de maneira que outras formas de ver, ser e agir possam ser evidenciadas. Assim, podemos nos dar conta de como as nossas opiniões e comportamentos atingem os outros e influenciam o contexto.

As relações interpessoais pedem cada vez mais a capacidade do ser humano de saber aceitar e gerir tudo aquilo que é diferente de nós, sejam pessoas, culturas, valores, opiniões, objetivos etc.

A diversidade, fator motivacional da atividade criadora, é considerada importante em todas as empresas, mesmo sendo propulsora dos conflitos, pois com diversidade, ideias e visões de mundo diferentes são construídas organizações mais resistentes, que compreendem mais a realidade mutável do mercado. No contexto administrativo e empresarial, o conflito, hoje, é enxergado como algo benéfico e necessário, ou seja, uma oportunidade. Ele é considerado um elemento de evolução, crescimento, criatividade, em que precisamos das diferentes visões, e as prospectivas são valorizadas.

O conflito num grupo de trabalho, por exemplo, manifesta-se quando as pessoas têm interesses e objetivos diferentes ou até contrastantes. O líder precisa estar consciente que o confronto é um componente natural e potencialmente produtivo para a realidade da equipe e das relações interpessoais. Ele estimula o pensamento e permite que diversas opiniões em relação a uma situação sejam consideradas para a tomada de decisão, permitindo uma ampla gama de ideias e soluções.

O ponto não é evitar o conflito e fechar os olhos para os fatos, mas saber geri-lo de forma a torná-lo eficaz e produtivo para o grupo. Uma liderança eficiente facilita uma comunicação adequada e permite aos integrantes ouvir outros pontos de vista com flexibilidade para mudar de ideia, se necessário.

Este é o desafio: conseguir criar condições para que possamos manter o equilíbrio, a “paz”, mesmo na diversidade, e viver o conflito não como ameaça, mas como momento de evolução, enriquecimento e abertura ao novo. Ele é um problema a ser solucionado e, não, uma guerra a ser disputada.

Viver em paz no meio de conflitos é uma arte complexa. Podemos estar em paz mesmo vivendo em um mundo rodeado de conflitualidade, pois temos a chance de escolher como reagir a isso para transformar as divergências em algo construtivo, produtivo e precioso, com serenidade e realização.

Fonte: Revista Psique Ciência & Vida.

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